Eu poderia ficar calada, não falar nada...mas do que adiantaria? Minha alma vazia iria reclamar a qualquer momento. Hoje mais uma vez andei pelas ruas sozinha, reparei em coisas do meu dia-a-dia e o relógio parecia não sair do lugar. Às vezes, quando se está muito triste, o tempo não passa. O tempo se arrasta. E não há nada que se possa fazer.
Mas como eu ia dizendo... hoje mais uma vez andei pelas ruas sozinha, e vi casas de cores sortidas, vi árvores que viraram cimento e algumas flores enfeitando o dia. Mas não senti o cheiro delas. Meu nariz estava entupido de eu tanto chorar. Chorei a noite inteira. Chorei coisas que não deveria. Acho que todo mundo faz isso em algum momento. Ou em vários momentos. Depende do quanto se entregue a si mesmo. Eu acho que é preciso se entregar a si mesmo. Sempre. E é isso que eu faço. Por isso digo que eu tenho um pacto de amor comigo mesma. E qualquer tristeza é sempre menor que a minha alegria. Quero pintar minha casa de amarelo. Portas e janelas brancas. Na varanda, chachins de plantas diversas e uma rede para deitar depois do almoço. Tirar um cochilo e se houver tempo, sonhar. Tomar uma chícara de café para despertar. Isso se eu quiser despertar. E seguir meu rumo feliz.
Das coisas que eu realmente me importo...eu cuido. Do meu jeito torto, mas cuido. Vez em quando ligo, digo que amo ao amigo mais antigo e que tá distante, que tomou outro rumo. Uma vez por ano deixo a mãe me ver olhando com olhos de gratidão. Ao meu amor, repito todos os dias e se pudesse diria de segundo em segundo que ele é a melhor parte do meu coração. Às minhas amigas, mando mensagens, raramente escrevo uma carta, mando scraps, dedico canção, faço pipoca, pego sol, como brigadeiro e em cada gesto eu digo o quanto é importante a presença delas em minha vida.
E a vida vai seguindo. Sinto saudades de antigas amigas que se afastaram, dos livros que eu poderia ter devorado, e de um pedido de desculpas. Xiquita, Lilica. Magrinha. Lalau e até Suski. E também Tupã. Ouço ao longe a mesma frase que arruinou meu dia, palavra por palavra que eu nem deveria lembrar. Perdoar, eu até perdoei. Mas a dor ainda é forte. Saudade do colo de Daniele, que naquele dia, foi meu conforto. E que em 12 anos de amizade continua sendo um dos meus colos preferidos. De A a Z, meu alfabeto é completo. E meu universo é colorido. Tenho motivos para viver. Continuo com o mesmo sorriso de sempre. Continuo a mesma mulher cheia de dentes. Só um pouco mais chata. Um pouco mais implicante. Alguns quilos mais magra. Mas com o mesmo coração saltitante. Que dá pulos de alegria, que se esforça mais a cada dia na luta por seus objetivos. Continuo sem medo de chorar e expor minhas fraquezas. Continuo me permitindo, me amando, enxergando a beleza natural das coisas. Sentindo o cheiro do mundo. Deus, acima de tudo. Amigos. Família. Danival.Danival. Danival. Família. Pai, mãe, irmã, irmão, sobrinho, cunhada, Paquita. Amigos. Amigas. Colegas. Cúmplices. Colo. Chocolate. Pipoca. Histórias, Julliethy, livros, computador, blog. Jornalismo. Paixão, dor, amor, amor, amor, Danival, meu amor, amor.Pai. Amigas de 97, 98, 99, 2000. 2003. 2004. 2005. 2008. Rua do Estrangeiro. Em tudo, uma entrega, um sorriso verdadeiro. Mês de janeiro, ano novo, vida nova. Coração Feliz.
Ao pé do ouvido, te digo:
Nunca deixe de ser você
Não se anule, nem se abandone, não se ignore nem chore com pena de você